Reticências.
Menos touchscreen, mais calor humano

Os planetas de nosso sistema necessitam da órbita solar para que possam fazer pacificamente seus movimentos de translação e rotação. O peixe-palhaço precisa da anêmona-do-mar para se proteger. A Terra só tem suas estações climáticas por causa de seu satélite natural, a Lua. Os pássaros, para polparem energia, voam em forma de V. São diversos os exemplos que chegam a uma clara conclusão: o Universo é, em sua essência (tanto em grande como em pequena escala) conecto.

     Essa verdade fundamental da conectividade das coisas tem, em parte, se desvaído. Não no sentido de que os planetas estão ganhando independência do Sol, de que a Terra não precisa mais da Lua, etc. A ideia de colaboração entre seres tem perdido o seu valor em escala unicamente humana. Estes passam por uma crise mascarada no pensamento coletivo. Mas, como isto se deu?

     O ponta-pé inicial se dá quando humanos começam a enxergar outros humanos como simples mercadoria, ou objeto de ajuda para realizar suas próprias necessidades - quando o homem começa a concluir que o dinheiro pode comprar, se não tudo, ao menos a maior parte. Isto já ocorria na época da escravatura, mas se acentuou após ocorrer as revoluções industriais. Quanto maior era a evolução tecnológica, maior se tornava a ideia de egocentrismo dentro da sociedade.

     Hoje o mundo vive num ápice tecnológico - computadores, tv’s, smartphones, tablets, tudo isto se tornou popular, produto de primeira necessidade. E o avanço exorbitante no mundo da tecnologia contribuiu para uma individualização muito maior e muito mais intensa do homem. Ao ponto de as pessoas se relacionarem socialmente em grande parte apenas de forma virtual, de passarem mais tempo com produtos do que com pessoas. O homem ruma para um processo de tornar-se um ciborgue.

     Aceitar de modo cômodo esta situação é fechar os olhos para uma banalização da relação social, da amizade verdadeira, do forte vínculo familiar, do calor humano. Todos têm que nadar contra essa maré de fios, metais e telas sensíveis ao toque (usar produtos, amar as pessoas e não o contrário). Todos têm que lembrar sempre de que assim como toda coisa no Universo, a conectividade entre seres faz parte da essência natural que rege tudo.

Homem humano ou macho ogro?

Como definir o papel do homem dentro duma sociedade no decorrer da história? Isto dependerá muito do contexto - aonde tal homem se encontra na linha do tempo da história humana. Mas em essência podemos dizer que na maioria das vezes o homem desenvolveu o papel de líder, figura central, dono de uma personalidade forte, que impunha, era fechada e agressiva. Mas e no nossos dias? Será que houve uma metamorfose na figura masculina?

     Para responder a essa pergunta primariamente temos que observar a função social da mulher. Por séculos a figura feminina foi vista unicamente como a genitora da prole da família, responsável pelos afazeres domésticos e, então, nunca levada em consideração e respeito. Tínhamos então homens essencialmente machistas, que abusavam da delicadeza feminina e as tratava como animais. Este tipo de pensamento começou a ser encarado com repúdio tardiamente no século passado havendo assim,  uma transformação na vida da mulher.

     Se a função social da mulher muda, a ideia do que é ser um homem também se altera. Há então uma nova idealização da figura masculina - a de uma pessoa educada, que não conquista forçosamente com agressão, que convive pacificamente com todos no vínculo familiar e de trabalho. Mas como já citado, esse novo padrão do que é ser um homem, é deveras muito novo. Não houve tempo suficiente para nos livrarmos totalmente do homem agressivo e ditatorial e estabelecermos 100% um homem mais humano.

     Voltamos então a pergunta inicial - qual é o papel do homem na sociedade de hoje? Podemos definir um momento de transição aonde a figura masculina é metade homem velho, metade homem novo, é metade ogro, metade cavalheiro. É o homem que repudia o outro que bate na mulher, mas que a vê como mercadoria. O papel de homem é ter a responsabilidade de acelerar esse processo de transformação evolutiva, de ser essencialmente mais humano, para que possamos no futuro nos vermos livres do macho ogro.

Desaba.fo

É tão doloroso não me sentir em lugar nenhum mais em sua vida. É como se eu tivesse perdido ou não cuidado direito de algo. Algo que me foi posto nas mãos.

    Consigo até lembrar de como era esse “algo” - quente, macio e me confortava. Sinto como se isso tivesse virado areia e escorrido entre meus dedos. Minhas mãos estão vazias e acostumar com elas assim…

Ah, é tarefa árdua que não tenho força o bastante pra concluir.

Duas horas e três minutos de uma madrugada chuvosa, fria. Mais uma daquelas aonde não pregarei os olhos.
O motivo?
rs que pergunta tola…

Olhando atentamente para o seu contato.

Esperando qualquer sinal de vida

Qualquer sinal de amor.

Vazio, extremo vazio.
Nada temam meus amados, nem ao homem que é cruel.
Rir é bom. Rir de tudo é desespero.
Re(amar).

Eu queria poder reverter tudo isso com apenas um ato.

Poder te (re)conquistar com um simples abraço.

Poder caminhar rumo a ti livremente.

Ah, eu queria te encher de coragem,

te mostrar o outro lado, te fazer acreditar.

Queria apenas fortemente lhe abraçar, talvez até chorar

- mas por favor, dessa vez, de alegria.

Queria ser novamente o motivo de seus sorrisos abertos, ternos e conquistadores.

Eu queria te fazer gargalhar, sem ter medo algum de poder acabar.

Queria, apenas, te fazer reamar.

E a cada minuto que se passa, revivo e relembro mais uma lembrança terna.